No Atomos MSI, o payload de cinco bandas precisa apontar para regiões da bandeja com repetibilidade — e a especificação natural do operador é clicar neste pixel, não digitar juntas. Este post formaliza o controle visual eye-in-hand do SCARA 3-DOF: a lei traduz um clique em correção de junta sob Jacobiana de imagem reduzida pan/tilt.
Diferencia-se do IBVS clássico: sem extração contínua de features e com um único movimento por waypoint, sincronizado por confirmação mecânica antes do próximo passo — requisito para aquisição MSI sequencial (um LED por quadro). Documentamos convergência para , singularidades e a sincronização servo–imagem usada na bancada.
1. Problema e motivação científica
Na bancada Atomos, o payload MSI (5 LEDs + CMOS) deve apontar para regiões da carne ou do solo com repetibilidade. Interfaces de junta pura (, em radianos) são pouco ergonômicas para o operador; a especificação natural é apontar para este pixel. O desafio fundamental é:
Como mapear em de forma que, após o movimento, o ponto da cena que estava em ocupe o centro óptico da imagem?
Formulamos três questões alinhadas ao documento de modelagem:
- Q1 — Qual a cadeia cinemática e a projeção perspectiva que ligam o espaço de juntas ao plano de imagem na montagem eye-in-hand?
- Q2 — Sob a restrição de correção discreta (um passo por waypoint), a lei converge localmente, e sob quais condições sobre e ?
- Q3 — Quais falhas de sincronização (sinais da Jacobiana, profundidade , latência servo–imagem) dominam a prática, e como diagnosticá-las?
O método é tratado como instrumento de posicionamento assistido, não como IBVS de alta taxa. Servo 1 (extensão do braço) é declarado opcional e não entra no laço visual direto; o controle reduz-se a pan () e tilt ().
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2. Fundamentos e trabalho relacionado
2.1 IBVS clássico versus correção discreta
O visual servoing clássico (Espiau et al., 1992; Chaumette & Hutchinson, 2008) opera em malha fechada contínua: captura → extração de características → erro → velocidade de juntas → integração em → repetir. O problema Atomos diverge em três pontos:
| Aspecto | IBVS clássico | SCARA Atomos |
|---|---|---|
| Alvo | Features visuais (pontos, linhas) | Coordenada de pixel pura |
| Laço | Contínuo até | Um movimento proporcional por waypoint |
| Tracking | Sim, ao longo do tempo | Não; reposicionamento pontual |
| Extração | NCC / detectores | Nenhuma |
2.2 Graus de liberdade do manipulador
| Junta | Papel | No laço visual |
|---|---|---|
| Servo 0 () | Rotação da base no plano horizontal (pan) | Sim |
| Servo 1 () | Extensão do braço | Não (opcional) |
| Servo 2 () | Inclinação do payload (tilt) | Sim |
A câmera está fixada rigidamente no payload, com eixo óptico apontando para a cena (montagem para baixo ou para frente, conforme calibração).
2.3 Sistemas de coordenadas
- Base : origem na interseção do eixo de com o plano horizontal; vertical; na referência .
- Câmera : origem no centro óptico; ao longo do eixo óptico; à direita na imagem; para baixo.
- Imagem : origem no canto superior esquerdo; colunas, linhas; resolução . Coordenadas normalizadas:
3. Modelagem geométrica
3.1 Cadeia cinemática
A pose da câmera em relação à base é
Para o SCARA simplificado pan/tilt:
com altura do eixo da base, comprimento do braço, e a transformação fixa payload→câmera (calibração hand-eye; Tsai & Lenz, 1989):
3.2 Projeção perspectiva
Um ponto no sistema da câmera projeta-se como
onde é o centro óptico principal (tipicamente o centro da imagem) e as distâncias focais em pixels.
4. Erro visual, Jacobiana e lei de controle
4.1 Erro visual normalizado
Dado o clique ,
significa que o ponto clicado já está no centro.
4.2 Matriz de interação
A relação diferencial com e reduz-se, para pan/tilt e ponto próximo ao centro, a
onde é a profundidade ao longo do eixo óptico. equivale a uma componente de (pan na imagem); a (tilt).
4.3 Lei de controle discreta
ou, explicitamente,
com ganho na prática (tipicamente se houver oscilação). Seguem saturação de passo e limites mecânicos .
4.4 Invertibilidade e singularidades
é invertível sse . No modelo simplificado,
A singularidade ocorre quando o ponto 3D está alinhado com o eixo de tilt da câmera () — tipicamente diretamente abaixo da câmera. Próximo à singularidade, usa-se a pseudo-inversa de Moore–Penrose ou regularização de Tikhonov:
4.5 Convergência local
Sob constante (válido para pequenos deslocamentos) e invertível, o sistema discreto
satisfaz . Convergência local exige , i.e.\ , desde que o ponto clicado seja atingível pelo robô.
5. Protocolo de execução de waypoints
5.1 Captura
Lista ; a cada clique, normalizar e armazenar .
5.2 Waypoint único
- .
- Se , retornar (já centrado).
- ; saturar .
- ; clamp mecânico.
- Comandar servos; aguardar confirmação de posição (feedback ou timeout).
- Declarar waypoint concluído.
5.3 Sequência
Para cada : executar o passo único; opcionalmente recapturar e refinar se (modo iterativo). Retorno a (home) ao fim.
O fluxograma abaixo formaliza esse laço. O ramo Não () calcula , move os servos e aguarda posicionamento antes de recapturar a imagem — a sincronização servo–imagem que evita operar sobre quadro desatualizado. O ramo Sim declara o waypoint concluído e avança para o próximo clique da lista .
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6. Calibração, profundidade e diagnóstico
6.1 Intrínsecos e profundidade
via padrão xadrez / ChArUco. A profundidade entra em ; opções documentadas: (i) plano de trabalho a altura conhecida; (ii) RGB-D; (iii) estéreo no payload; (iv) constante para superfícies aproximadamente planas (caso típico da bandeja Atomos).
6.2 Matriz de diagnóstico
| Sintoma | Causa provável | Solução |
|---|---|---|
| Oscilação em torno do alvo | alto | Reduzir para |
| Não converge | ou incorretos | Recalibrar ; verificar sinais |
| Movimento em um só eixo | Pseudo-inversa; evitar alinhamento central | |
| Direção oposta | Sinal invertido em | Inverter ou |
| Atraso comando–imagem | Latência de servo/COM | Confirmar posição antes de nova captura |
6.3 Verificação empírica de sinais
Com alvo visível em : aplicar e observar se o alvo move para a esquerda () ou direita (); idem para e (cima/baixo).
6.4 Extensões
- Modo iterativo: com gain scheduling ( decrescente).
- Dinâmica de servos: (RC típico 100–200 ms).
- Suavização: spline cúbica entre waypoints com .
7. Parâmetros do protocolo
| Parâmetro | Valor / papel |
|---|---|
| DOF no laço | (pan), (tilt) |
| Erro | |
| Lei | |
| teórico | para convergência local |
| prático | ; se oscilar |
| Singularidade | ponto sob a câmera; Tikhonov / |
| nominal do plano de trabalho (bandeja) | |
| Sincronização | aguardar posição antes do próximo quadro |
| Montagem | eye-in-hand no payload MSI |
8. Limitações e validade
- Não é IBVS contínuo. Um passo por waypoint assume linearidade local; erros grandes ou mal estimado degradam o mapeamento.
- Dependência de . Sem profundidade medida, falha em relevo acentuado da amostra.
- Servo 1 fora do laço. Extensão do braço não é comandada pelo erro de pixel; o envelope de atingibilidade é o de pan/tilt na configuração atual.
- Calibração hand-eye. incorreta propaga erro sistemático de direção (sintoma “move ao contrário”).
- Latência. Sem confirmação de posição, o próximo clique opera sobre imagem desatualizada — falha de sincronização, não de Jacobiana.
- Escopo. O documento é de modelagem e implementação; não reporta métricas experimentais de erro residual em pixels nem taxa de sucesso por sequência de waypoints.
9. Direções de pesquisa
No horizonte do Atomos e da célula inline de carcaças:
- Fechar o laço iterativo com critério em pixels e log de convergência por waypoint.
- Integrar profundidade (RGB-D ou Kinect do ecossistema) em .
- Planejador de 5 poses anatômicas multiangulares sobre a carcaça, usando a mesma lei de centragem por ROI.
- Migrar de SCARA 3-DOF para manipulador de 6 eixos, preservando a interface clique→centro como camada de especificação de tarefa.
- Validação quantitativa: erro residual médio, tempo até confirmação, robustez a variação de na bandeja MSI.
10. Conclusão
No âmbito do posicionamento do cabeçote Atomos MSI, o controle visual do SCARA 3-DOF formaliza o waypoint como erro de pixel puro e a atuação como correção discreta via Jacobiana de imagem invertida. A cadeia , a projeção e a lei respondem a Q1–Q2 sob hipóteses locais e ; a prática (Q3) concentra-se em sinais de , calibração de e sincronização servo–imagem. Esse eixo não substitui o IBVS clássico de alta taxa — fornece o modelo mínimo necessário para que o operador especifique regiões de aquisição espectral por clique, com o robô centrando a cena antes de cada ciclo LED. A validade operacional depende, daqui em diante, de calibração hand-eye estável, profundidade conhecida do plano de trabalho e confirmação mecânica antes da captura multiespectral.
Referências
- Chaumette, F., & Hutchinson, S. (2008). Visual servoing and visual tracking. In Springer Handbook of Robotics. Springer.
- Espiau, B., Chaumette, F., & Rives, P. (1992). A new approach to visual servoing in robotics. IEEE Transactions on Robotics and Automation, 8(3), 313–326.
- Corke, P. (2017). Robotics, Vision and Control: Fundamental Algorithms in MATLAB (2nd ed.). Springer.
- Tsai, R. Y., & Lenz, R. K. (1989). A new technique for fully autonomous and efficient 3D robotics hand/eye calibration. IEEE Transactions on Robotics and Automation, 5(3), 345–358.
- Malis, E. (2004). Visual servoing invariant to changes in camera intrinsic parameters. IEEE Transactions on Robotics, 20(1), 72–81.
- Melo, L. S. (2026). Controle Visual de Robô SCARA com Câmera Montada no Efetuador — Correção de Posição Baseada em Erro de Pixel para Waypoints Interativos. Documento técnico Atomos MSI (
docs/3DOF-Scara/main.tex).








