Projeto óptico e simulação de desempenho de um sensor hiperespectral push-broom para espectroscopia agrícola no NIR (–): arquitetura (fenda → colimador → dispersor → detector), equações de projeto, PSF e razão sinal-ruído. Trabalho de simulação — sem protótipo físico nem medida de bancada.
Neste post fechamos o desenho do instrumento que a série B usa como âncora; os posts seguintes tratam da óptica de entrada (aberração cromática), do que o sensor veria na soja (PROSAIL) e do pipeline espectral.
O princípio push-broom
Um sensor push-broom registra uma linha espacial por vez. A luz da cena é focalizada sobre uma fenda estreita, que seleciona uma linha do terreno. Um colimador transforma o feixe divergente em paralelo, e um elemento dispersivo separa os comprimentos de onda ao longo do eixo perpendicular à fenda. Um detector bidimensional registra, assim, uma dimensão espacial e uma dimensão espectral simultaneamente.
A segunda dimensão espacial vem do movimento da plataforma. O empilhamento das linhas sucessivas forma o cubo hiperespectral.

Especificação dos componentes
| Componente | Especificação | Função |
|---|---|---|
| Objetiva | mm, | Formação da imagem da cena |
| Filtro dicroico | Corte em 700 nm, R > 97% | Separação VIS/NIR |
| Fenda de entrada | μm | Seleção da linha espacial |
| Colimador | mm, 25 mm | Colimação do feixe |
| Grade de difração | 600 linhas/mm, blaze em 800 nm | Dispersão espectral |
| Lente de câmera | mm, | Focalização do espectro |
| Detector | pixels, passo de 5 μm | Registro da imagem |
Dispersão pela grade
A equação da grade relaciona o ângulo de difração ao comprimento de onda, para ângulo de incidência , ordem e período :
A derivada dessa relação fornece a dispersão angular, que quantifica a separação em ângulo por unidade de comprimento de onda:
Para a grade de 600 linhas/mm na primeira ordem, a dispersão angular resulta em 0,622 mrad/nm. Multiplicada pela distância focal da lente de câmera, fornece a dispersão linear de 31,1 μm/nm no plano do detector.

Resolução espacial
A distância de amostragem no terreno decorre do passo do pixel , da altitude e da distância focal da objetiva :
A 10 m de altitude, a amostragem no terreno é de 1,0 mm e a faixa imageada tem 1,0 m de largura.
O limite óptico é dado pelo disco de Airy. A largura a meia altura da função de espalhamento de ponto cresce linearmente com o comprimento de onda. Ela vai de 2,02 μm em 700 nm a 2,88 μm em 1000 nm, passando por 2,45 μm em 850 nm. Todos esses valores são menores que o passo do pixel de 5 μm.
A resolução espacial é, portanto, limitada pelo detector e não pela óptica.

Resolução espectral: o número teórico e o realizável
O poder de resolução de uma grade depende da ordem e do número de ranhuras iluminadas :
Com o colimador de 25 mm iluminando a grade de 600 linhas/mm, tem-se ranhuras, e portanto na primeira ordem. Isso corresponde a uma resolução espectral teórica de
Esse valor não é realizável neste sistema. O intervalo de amostragem espectral é fixado pelo detector:
O sistema é sobreamostrado espectralmente por um fator de aproximadamente 10. Pelo critério de Nyquist, dois pixels são necessários por elemento resolvido, o que limita a resolução utilizável a cerca de 1,17 nm. A resolução prática é, portanto, cerca de vinte vezes pior que o valor teórico da grade.
Há duas razões adicionais para tratar como limite superior. O cálculo pressupõe que os 25 mm de abertura do colimador estejam plenamente iluminados, o que a altura de 5 mm da fenda pode não garantir. Além disso, o poder de resolução efetivo tende a ser limitado pela largura da fenda, e não pela grade.
A leitura correta é que a grade está superdimensionada para a amostragem escolhida. Uma grade de 300 linhas/mm atenderia o mesmo intervalo de amostragem, e a sobreamostragem remanescente pode ser aproveitada para redução de ruído por binning espectral e para análise de derivadas.
Transmitância e razão sinal-ruído
A transmitância do caminho óptico no infravermelho próximo é o produto das eficiências dos componentes:
Os fatores correspondem, na ordem, à objetiva, à reflexão do dicroico, ao colimador, à eficiência da grade, à lente de câmera e à eficiência quântica do detector. O valor de 52,4% pressupõe condições ideais. Implementações práticas tendem a atingir 35 a 40%.
A análise radiométrica, sob radiância típica de vegetação, indica razão sinal-ruído entre 85 e 180 para 10 ms de integração. O valor menor ocorre na região do red edge, onde a reflectância da vegetação é baixa, e o maior no platô do infravermelho próximo. A dependência da razão sinal-ruído com a raiz quadrada do tempo de integração é característica do regime limitado por ruído de fóton.

Uma razão sinal-ruído acima de 100 é adequada para o cálculo de índices de vegetação e para a análise de derivadas do red edge. A correção atmosférica requer valores acima de 300, fora do alcance desta configuração.
Resumo do desempenho simulado
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Faixa espectral | 700 a 1000 nm |
| Bandas espectrais | 512 |
| Amostragem espectral | 0,586 nm/banda |
| Resolução espectral utilizável (Nyquist) | ~1,17 nm |
| Resolução espectral teórica da grade | 0,057 nm |
| Amostragem no terreno (10 m) | 1,0 mm |
| Largura da faixa imageada (10 m) | 1,0 m |
| Largura a meia altura da PSF (850 nm) | 2,45 μm |
| Dispersão angular | 0,622 mrad/nm |
| Dispersão linear | 31,1 μm/nm |
| Transmitância (ideal) | 52,4% |
Limitações
- O trabalho é de simulação. Não há protótipo físico nem validação de bancada.
- O poder de resolução de 15.000 pressupõe iluminação plena do colimador. A geometria da fenda pode não satisfazer essa condição.
- A resolução espectral utilizável é limitada pela amostragem, não pela grade.
- A transmitância de 52,4% pressupõe condições ideais dos componentes.
- Os modelos de aberração adotados são simplificados.
- Os efeitos atmosféricos não foram incorporados à análise radiométrica.
Referências
- Born, M., Wolf, E. (1999). Principles of Optics. 7th ed. Cambridge University Press.
- Palmer, C. (2005). Diffraction Grating Handbook. Newport Corporation.



